• Ivan Renner


  • Prof. Ivan Renner
    Diretor-Geral

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Mensagem do diretor-geral

    A Escola é o espaço da reconstrução da credibilidade pública

    “Depois a gente vê o que faz...”

    É incrível e é lamentável. O mesmo quadro catastrófico visto no início do ano passado e relatado por mim na mensagem de abertura do último Plano de Direção é novamente visto por todos nós neste início de ano: enchentes, enxurradas, soterramentos, mortes, abandono... É triste! Porém, a pergunta responsável que não quer e não pode calar é: isso não poderia ser evitado ou, ao menos, amenizado?

    É redundante dizer que enchentes ocorrem por toda a parte. Ao mesmo tempo em que ocorreram aqui, também ocorreram na Austrália, por exemplo. Por haver uma cultura de solidariedade e de engajamento cidadão em ações preventivas, o desastre foi bem menor, para não dizer mínimo. A maioria, provavelmente, pôde acompanhar essas reportagens.


    Por que, então, somos assim?


    Martha Medeiros, em sua coluna em ZH do dia 26 de janeiro, muito bem descreve essa indagação e, com perplexa análise e constatação, acrescenta: “Somos totalmente refratários à prevenção. Tudo o que nos acontece de ruim provoca uma chiadeira, vira escândalo nacional. O antes é um período de tempo que não existe. Investir dinheiro para evitar o que ainda não aconteceu nos soa como panaquice. [...] Somos bambambãs em varrer para debaixo do tapete os retardatários de todas as corridas rumo ao desenvolvimento. Não prevemos nada. Adoramos os astrólogos, mas odiamos pesquisa. [...] Só o erro consolidado retém nossa atenção.” Na mesma matéria, complementa: “[...] A gente aplaude a arrogância dos filhos e depois vai pagar a fiança na delegacia. [...] A gente joga lixo, depois se surpreende em ter a rua alagada. A gente se expõe em todas as redes sociais, depois esbraveja contra os que invadiram nossa privacidade. [...] A sociedade reclama por profissionais mais gabaritados, mas ninguém investe em professores e em universidades. [...]”


    Esse retrato lastimável enfoca muito bem o não fazer antes e o “empurrar com a barriga” para ver no que dá; e, se dá, a gente vê o que faz ou simplesmente lamenta e chora. Gente, isso sim é de chorar!

     

    O que fazer e como fazer para mudar?


    Pelo visto, como educadores responsáveis e engajados, temos que ver qual é a nossa parte neste processo. É hora de refletirmos sobre a necessidade de mudar algo no processo formativo de nossos filhos – a função da família – e no processo educacional que envolve os nossos alunos – a tarefa da escola. Como começar? Eu diria com atitudes simples e permanentes – sempre de novo e mais uma vez – até que a atitude seja naturalmente praticada.

    Nesse sentido, li certa vez um alerta ecológico e de limpeza pública numa placa: “Conscientização de todos e atitude de cada um”. É isso! Conscientização até é mais fácil. Ter atitude, eis a questão central. Ouso dizer que a conscientização só existe com a devida atitude. Em outras palavras, a conscientização deve vir necessariamente acompanhada de uma ação proativa. Penso que é por aí! Sim, aí nós estamos num verdadeiro processo educacional, pois ele deve dizer respeito à nossa vida agora e daqui a pouco, à nossa vida e à dos outros.

    Como Sinodal, com certeza, temos também algo a dizer e a fazer nesse sentido. Aliás, uma grande tarefa. Aos pais diríamos: acrescentem-se a nós para o bem de todos, mas, sobretudo, deles, dos nossos filhos e alunos, pois são eles que viverão mais o amanhã do que nós mesmos. Que mundo deixaremos para eles? Eis a perenidade, ou não, que se abre diante de nós e deles.

    Nesse sentido, e de maneira muito mais ampla, o Prof. Dr. Bernardo Toro, educador internacionalmente conhecido e reconhecido, palestrante no Congresso da Rede Sinodal promovido pelo Sinodal em julho de 2010, entende que “a sociedade contemporânea se ergueu sob o paradigma do êxito, da ambição desenfreada, e essa ordem ética pautada no individualismo exacerbado fez com que esquecêssemos que o Planeta Terra não precisa da humanidade” (Revista LIÇÕES. São Leopoldo: Sinodal, n. 23, p. 10, 2010).

    Continuando, ele diz que “essa ética do triunfo e do domínio de uns sobre os outros precisa ser substituída, com urgência, por um conjunto de valores pautado na ética do cuidado; cuidado de si, do outro conhecido, do outro desconhecido, do intelecto, do planeta. Para Bernardo Toro, “ainda que a educação, sozinha, não vá dar conta desse processo, não pode deixar de dar a sua contribuição” (idem).

    Fica a pergunta: mas que tipo de educação nós, como escola, deveríamos aplicar? O mesmo Toro aponta para uma educação abrangente que, além do domínio da leitura, da escrita, do cálculo e da resolução de problemas, tenha no horizonte bem visível a capacidade de análise, de síntese e de interpretação, manuseio crítico da informação e a capacidade de decidir em grupo. Para quê? Para aprender a atuar no entorno social de forma intelectualmente responsável. Tudo isso ele entende por “cuidar para não perecer”. Eis a questão e eis o desafio que a nossa ação educacional, como escola e como família do século XXI, tem pela frente.

    No que se refere ao Sinodal, tenho comigo que estamos nesse caminho apontado. Importa que avancemos... Alguém poderia perguntar: e os outros? Bem, penso que esse tipo de conscientização e tarefa a ser verdadeiramente cumprida deveria fazer parte de todo o processo educacional brasileiro. Enquanto a gente espera que isso ocorra mais e melhor, comecemos com a gente, ou melhor, continuemos a fazer, cada vez melhor, aquilo que a gente já faz nesse sentido – a educação do cuidado. Em outras palavras, se fizermos valer, no dia a dia da escola, a convivência fraterna, a reciprocidade e a solidariedade ativas, estaremos construindo um mundo, mesmo em miniatura, mais justo e humano. Esse processo é chamado de humanização da educação, segundo o Prof. Dr. César Nunes, da Unicamp, SP.

    Por fim, para entendermos um pouco mais a nossa natureza de povo brasileiro, quem sabe seria conveniente lermos esta tríade literária: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda; Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre.


    E o professor neste desafio e nesta função?

    Além da tarefa social e política da escola de hoje, anteriormente descrita, ainda há outras, como, por exemplo, trabalhar temas de formação variada e ainda dar conta de todo o conteúdo exigido, que é cada vez mais avolumado para uma escola que se destaca pela qualidade na educação, haja vista os nossos constantes resultados positivos no ENEM. Não é mais novidade, mas só para registrar: no último ENEM, o Sinodal obteve o primeiro lugar entre todas as escolas públicas e privadas no RS, o primeiro lugar entre todas as escolas particulares do sul do Brasil (PR, SC e RS) e, ao mesmo tempo, obteve a 11ª melhor redação do Brasil entre mais de 25 mil escolas.

    Como disse à época, mais do que alegria é responsabilidade. Responsabilidade em continuarmos melhorando a cada ano, na certeza de buscarmos sempre o melhor para todos, tanto para o corpo docente e funcional como para os nossos alunos e seus pais.
    Como dar conta de tudo e continuar correspondendo à expectativa?

    Como pano de fundo, em meio a isso tudo, é importante que o professor nunca deixe de considerar que o seu aluno vive hoje em dia numa dimensão vivencial e existencial muito diferente do que no tempo em que ele e nós éramos jovens. Aí o processo educacional era objetivamente mais direcionado e embretado. É redundante dizer que estamos diante de uma nova perspectiva do aluno e, por isso mesmo, do próprio processo ensino-aprendizagem.

    Para poder contribuir na formação desse tipo de aluno, necessário se faz o professor apostar numa educação emancipatória, em que o exercício da autonomia seja o vetor principal. Em suma, formar gente que aprenda a pensar com a sua cabeça e aprenda a andar com as suas pernas.

    Para tal, o professor deve, cada vez mais, se transformar no organizador de aprendizagens necessárias, construtor de sentido, mediador dos conflitos, autoavaliador de sua prática pedagógica e permanente aprendiz, segundo o Prof. Dr. Júlio Furtado, do RJ, outro educador renomado deste país.

    “Construtor de sentido”... Sou testemunha e, por isso, posso dizer: como há professores e professoras que dão verdadeiramente os seus “ombros”, para não dizer “o colo”, para os alunos que precisam de uma palavra, de um conforto e até de uma direção em meio a tantos conflitos e incertezas, que muitas vezes os cercam e pairam pelas suas “cabecinhas”, nesta fase íngreme e movediça, que é, sobretudo, a adolescência, ou como diria um psicanalista, “a adoescência”.

    Alguém poderia dizer: as tensões e as inquietações fazem parte do processo. Ok, concordo, mas não é tarefa fácil. Até penso que deveriam servir de combustível e de inspiração para que as práticas pedagógicas possam ser reavaliadas e reencetadas constantemente. Tenho comigo que essa aparente e complicada ebulição, além de possibilitar a própria oxigenação, constrói novas possibilidades.

    Ainda sob o tema “o que faz um bom professor?”, Jorge Werthei, doutor em educação pela Stanford University, EUA, diz: “O professor deve ter domínio tanto do conteúdo das disciplinas quanto das técnicas pedagógicas. Talento e carisma contam, elas precisam sustentar-se sobre sólida metodologia. Ele deve ser um grande motivador e, claro, estar ele próprio motivado. Criatividade é imprescindível.” (Revista LINHA DIRETA. Edição 150, p. 34, setembro de 2010.)

    Sobre esses elementos fundantes da ação docente, motivação, inovação e criatividade, desengaveto palavras de Fernando Pessoa, que aponta para o seguinte: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo da travessia. E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

    Viver esta perspectiva, compreender o aluno atual nas suas vivências e circunstâncias sociais e aspirações na desestruturação familiar cada vez maior e nas perspectivas profissionais mais concorridas do século XXI nos leva impreterivelmente a trocarmos algumas roupas e tentarmos uma travessia para novos caminhos. Vamos ao exercício?

    O professor não é mais o dono do saber. Hoje ele deve ser o articulador desse saber. Para tal, ele deve querer assumir riscos, sentir-se incomodado com a realidade, assumir responsabilidades enquanto outros inventam justificativas e, acima de tudo, abrir a mente e o coração.

    Sobre esse mesmo tema, outro professor da Universidade de Stanford (EUA), Paulo Blinstein, sustenta: “O bom professor, primeiro, sabe diagnosticar rapidamente eventuais dificuldades de seus alunos; segundo, diagnosticar de onde ele vem e como pode ajudá-lo a construir conhecimento novo a partir do que sabe; terceiro, os desafios que você propõe aos alunos têm que ser estudados: se forem muito fáceis, o aluno não tem motivação; se forem muito difíceis, perde o interesse. Sinteticamente, o professor precisa ter um olhar muito cuidadoso e preciso sobre a individualidade da criança e entendê-la.

    Dá para se dizer, então, sem sombra de dúvida, que o professor que tiver essa maneira de ver e fazer, hoje em dia, chega mais longe com o aluno?

    Corrobora nesse contexto novamente a fala de César Nunes quando afirma: “Educar é essencialmente uma manifestação de esperança... Trata-se de um gesto que nasce nos corações e mentes de quem procura olhar para o futuro, para novas perspectivas, olhar para muito além do horizonte de nossos dias corriqueiros e estreitos, com olhos molhados de utopia.”

    Sim, como educadores pais/professores devemos nos deixar mover por essa utopia de transformar o homem num homem melhor. Aqui, logicamente, “homem” entendido como gênero humano. Sim, num homem melhor. Vivemos numa época de galopantes transformações. A educação, por ser atividade vital no desenvolvimento do ser humano, está no cerne das mudanças, pois não há a possibilidade da existência de um processo evolutivo, tanto econômico quanto social, sem que a educação seja a alavanca da revolução.

    Que o ano de 2011 seja para cada um de nós não mais um ano de experiência repetida, mas de nova experiência; com nova motivação e também nova inspiração e, sobretudo, movido pela inovação e criatividade. “Invente e tente!”

    Educação de qualidade não vive desassociada da exigência

    Como é do conhecimento de alguns, em outubro do ano passado, juntamente com mais alguns poucos diretores da Rede Sinodal, visitei sete escolas de ponta nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi uma viagem que trouxe a todos nós algumas boas observações.

    O bom resultado dessas escolas se deve, principalmente: a) ao bom nível do corpo docente e funcional; b) a uma matriz curricular variada, que desenvolve as diversas inteligências; c) a uma boa estrutura organizacional; d) à parte tecnológica bem desenvolvida e, principalmente, e) à carga horária ampla. Assim, é comum vermos escolas com carga horária, principalmente a partir da 5ª série e no Ensino Médio, com 40 horas/aula ou mais.

    Concluindo, não há milagre. Sabe mais quem estuda mais ou quem está mais tempo exposto ao estudo. Parece que o governo, enfim, aprendeu isso, como pode ser visto agora com o projeto da “escola integral” do governo federal. De manhã, aula normal e, à tarde, educação profissional. Isso significa que o aluno vai ter de ficar mais tempo na escola, aprendendo, além das disciplinas obrigatórias, também as disciplinas que o encaminharão para uma atuação profissional. Isso é muito bom, pois temos no país uma deficiência técnica muito grande. Há empresas que, às vezes, não sabem onde contratar. Essa lacuna poderá ser preenchida. Digo “poderá”, pois há sempre aquela tradicional “dificuldade brasileira na execução”. O pensar e planejar são bons, mas executar é que são elas. Na hora “h”, certamente, faltarão professores, escolas, material didático etc. e tal. A gente sabe que não é só com ideias brilhantes que se transforma a educação de um povo e de um país. Há a necessidade de uma ação mais séria e comprometida com a educação. Os desmandos, as mancadas, para não dizer outras coisas mais, na execução das provas do ENEM estão aí para não nos desdizer. Mas, se esses detalhes centrais forem antecipadamente previstos, com certeza, o Brasil dará saltos, inclusive, na economia. Temos exemplos nesse sentido. É só ver e avaliar o que era a Coreia do Sul há 40 anos e o que ela é hoje. Há quarenta anos, ela definiu a educação como uma grande política social do país. Qual foi o resultado? Todos nós já o sabemos: hoje a Coreia é uma potência, reconhecida internacionalmente em todos os sentidos e, especificamente, na educação está entre aquelas nações que ponteiam o ranking do PISA.

    Mas, voltando à observação sobre as sete escolas visitadas, depois de retornarmos, chegamos à conclusão de que deveríamos melhorar e aumentar ainda mais a nossa matriz curricular na 7ª, 8ª e em todas as séries do EM. Isso foi feito. Os efeitos positivos nós devemos sentir dentro de alguns anos. Mas é isso; se nós quisermos colher amanhã, temos que semear, necessariamente, hoje.

    Além de uma carga horária boa, insistimos no aproveitamento parcial do tempo dos alunos quando estão em casa, com temas, leituras, consultas bibliográficas etc. Certa vez, o conhecido pesquisador Gustavo Ioschpe afirmou num congresso do SINEPE que há várias ações que levam o aluno a ter sucesso na escola. Uma delas, dita repetidamente, é estudar de 2 a 2,5 horas por dia. Isso, logicamente, adequando o número de horas ao nível de desenvolvimento da criança e do adolescente.

    De qualquer forma, o Sinodal sempre tem adotado essa ação, e os resultados são visíveis. A adoção de provas fixas e o SAS (Sistema de Avaliação Semanal) no Ensino Médio – e agora o SAS também para 7ª e 8ª séries –, além de outras avaliações, são igualmente maneiras de fazer com que o aluno estude permanentemente. Isso ajuda a fazer uma tremenda diferença no final das contas. Não é de hoje a afirmação “Pelé é Pelé por causa de sua carga genética e também pela sua dedicação aos treinos”.


    Escola: Espaço de interação e de convivência. E como fica o bullying?

    Em termos gerais, os dados mostram isso: conseguimos construir um bom clima de estudo e de convivência no Sinodal, tanto entre os professores quanto entre os alunos, mas, principalmente, entre professores e alunos.

    Alguns elementos contribuem para tal, a saber: a) espaço amplo com vegetação abundante; b) jardins e lugares próprios para a convivência; c) quadras de esporte cobertas e ao ar livre; d) construções espaçosas, distribuídas e separadas de acordo com os diversos níveis; e) cada turma tem ou um professor regente ou conselheiro para discutir as questões próprias; f) anualmente as turmas fazem retiros para o sítio do colégio com o pastor escolar com o fim de promoverem a integração; g) o serviço de psicologia é um meio de escuta e encaminhamento; h) as coordenações de níveis se encarregam da parte disciplinar, juntamente com todos os professores e a direção; i) as portas sempre estão abertas para uma interlocução tanto com os alunos como com os seus pais.

    Apesar de todos os meios citados, muitas vezes há situações em que o colégio precisa intervir. Quem convive com crianças e jovens sabe muito bem como eles são capazes de, às vezes, praticar pequenas e até grandes perversões, se podemos denominá-las assim. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas “imperfeições”, implicam, discriminam e não perdoam nada. Isso ocorre no círculo de convivência social, na roda de amigos ou mesmo em casa entre os próprios irmãos. Na escola, isso, infelizmente, também pode ocorrer.

    “Esse comportamento não é novo, mas a maneira como os pesquisadores, médicos e professores o encaram vem mudando. Há cerca de 15 anos, essas provocações, passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como ‘intimidar’ ou ‘amedrontar’). Sua principal característica é a agressão (física, moral ou material) que é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação específica.” (Revista NOVA ESCOLA. Ano XXV, n. 233, p. 66 e ss., jun/jul 2010.)

    Mais recentemente, esse comportamento tem avançado e atingido outras raias e meios através de sites de relacionamento e torpedos com fotos e textos constrangedores para a vítima e constituem hoje o chamado cyberbullying. Dessa forma, adolescentes humilhados deixam de se sentir seguros em lugar algum e em momento algum. Assim, antes era de maneira direta e pessoal, agora é de maneira sorrateira, de forma indefinida e de abrangência descontrolada. E, o que é pior, com a intimidade invadida.

    Em seus estudos, Freud constatou que há três fatores que causam sofrimento para o ser humano: a) os fenômenos da natureza. Não há como controlá-los; b) a inexorabilidade do tempo. Não é possível pará-lo. A velhice está aí para nos atentar; c) as dificuldades nas relações interpessoais.

    Nós do Sinodal, que não só nos preocupamos com o lado cognitivo de nossos alunos, mas também com a construção da própria autoestima deles, estamos puxando esse tema para bem perto. No Seminário dos Professores, no início do ano letivo, esse assunto teve importante relevo. O corpo docente já vinha prestando bem atenção na questão, mas agora, a partir deste ano, os nossos olhos e ouvidos estarão mais direcionados neste sentido.

    O Sinodal completa 75 anos em 2011

    19 de maio de 1936 marca o início histórico do Sinodal no mundo da educação. Portanto, neste ano de 2011, teremos o privilégio de comemorar os 75 anos de história. Queremos olhar para o passado para agradecer, mas, ao mesmo tempo, olhar adiante, até porque a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente. Quer dizer, que bom que podemos ficar entre estas duas posições: o passado que nos serve de aprendizagem e o futuro que nos serve de desafio.

    Pensando nisso, o Conselho Escolar houve por bem constituir uma comissão central que planejará as principais atividades. Para a sua execução, espera-se que toda a coletividade se integre. Mais adiante, todos ficarão sabendo da programação.

    Finalizo, assim, com a convicção de que o ano de 2011 será transposto por uma caminhada com muito comprometimento e criatividade.

    Que Deus sempre nos dê ao querer também o fazer!
    Prof. Ivan Renner
    Diretor-Geral