O pão do povo

“A justiça é o pão do povo.
Às vezes bastante, às vezes pouca.
Às vezes de bom gosto, às vezes de gosto ruim.
Quando o pão é pouco, há fome.
Quando o pão é ruim, há descontentamento. Fora com a justiça ruim!

Cozida sem sabor, amassada sem sabor!
 A justiça sem sabor, cuja casca é cinzenta!
A justiça de ontem, que chega tarde demais!
Quando o pão é bom e bastante
o resto da refeição pode ser perdoado.
Não pode haver tudo logo em abundância.

Como é necessário o pão diário,
é necessária a justiça diária.
Sim, mesmo várias vezes ao dia.
De manhã, à noite, no trabalho, no prazer.
No trabalho que é prazer.
Nos tempos duros e felizes.

O povo necessita do pão diário
da justiça, bastante e saudável.
Sendo o pão da justiça tão importante,
Quem, amigos, deve prepará-lo?
Quem prepara o outro pão?
Assim como o pão, deve o pão da justiça
ser preparado pelo povo.”

(Fonte: Brecht – poemas 1913-1956, 4ª. ed. São Paulo, Brasiliense, 1990, p. 309.)

Vivemos o tempo da propaganda eleitoral e duas atitudes são possíveis: Lavar as mãos como fez Pilatos, indicando “Eu não sou responsável... Isto é com vocês.” (Mateus 27.24). Ou colocar as mãos na massa e buscar as melhores alternativas, animando também os outros.
Para o envolvimento cidadão, precisamos que Deus nos anime e impulsione por meio do Espírito Santo. Lembrando de como Jesus lavou os pés dos seus discípulos (João 13) antes de enviá-los como sal e luz para o mundo (Mateus 28). Uma cidade melhor depende de elegermos representantes dispostos a caminhar, com vontade de por a mão na massa conosco e preparar o pão da justiça.

 

 

P. Claus Martin Dreher
Colégio Evangélico Alberto Torres – Lajeado/RS
Rede Sinodal de Educação - IECLB