O Ano Novo


            Normalmente, na época perto do Natal e do ano novo, ninguém quer ser injusto. A gente tem a tendência de se cuidar e fazer muitas coisas boas ao próximo.  Desejamos, com muita freqüência, que o outro seja feliz, que tenha sucesso no seu emprego, que tenha um bom convívio com a família, etc. Muitos até gostam das comparações e querem voltar ao passado para tomar uma atitude mais consciente: vamos fazer o que dizia a vovó. E com certeza, temos muita coisa a aprender com a nossa vovó. Ela tem a palavra sábia que vem da experiência e dos tempos vividos com mais sofrimento do que hoje.
            Ultimamente, no entanto, até as vovós quando se associam a grupos, clubes ou ligados à igreja aprendem que lhe roubaram os direitos e então, passam a exigir o que individualmente não querem para os outros, especialmente aos seus filhos e netos.  Explico com um exemplo.
            Não são poucas as vovós que estão tristes, porque filhos e netos não participam mais da vida da igreja.  Recentemente convivi numa celebração com jovens e crianças um momento melancólico na igreja. Aconteceu num projeto de integração. Eram as crianças que estavam em silêncio e prontas diante do altar para trazer a mensagem aos jovens. Ao lado do altar também havia senhoras idosas enfeitando o pinheirinho. A professora, respeitando a idade, se esforçara para deixar todos em concentração. Mas o anúncio da palavra e a bela apresentação das crianças não foram o suficiente para silenciar as senhoras com seu enfeite de natal.
            No final os jovens e as líderes se perguntaram – por que não respeitaram a alegria e a boa vontade das crianças?
            O que dizer à vista disso, que nossas vovós também já cansaram individualmente e agora se organizam para salvar  espiritualmente seu grupo? Ou chegamos a um ponto que a igreja que desejamos deve ser “do meu jeito de ser”?
Como a época é o tempo da preparação, nada deveria escapar que não mereça  nossa reflexão. Todos nós adultos confirmamos que a nossa vida hoje é mais agitada. Assumimos muito mais tarefas do que anos atrás. A tecnologia nos permite que assumamos estas atitudes.  E consequentemente, vai se manifestando no ser humano uma postura que quebra as boas relações. Hoje nem as vovós escapam desse envolvimento.
            Mesmo assim, mais um Natal e vem aí mais um ano novo . Cheio de esperança para mudar o coração humano. Sim, porque, apesar de tudo, Deus já viveu por nós e já previu tudo isso. E sem mágoas, de braços abertos, Ele aceita nossa fraqueza, nossas frustrações e, principalmente, nossa falta de sensibilidade  Ele já  acendeu de novo a luz.


Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente (Sl 84,4)        

                                                                                              P. Bertilo Schneider