Ídolos

Morreu Michel Jackson e isso nos lembra que ídolos também morrem, mesmo aqueles que querem prolongar suas vidas, deitando-se dentro de câmaras de oxigênio. Morreu Elvis Presley e tantos outros, Cazuza, Elis...
De todos ouvimos falar. Mortes trágicas, mas que deixaram muita fama para trás. Eles superaram algo que outros não superaram. Eles inventaram jeitos que outros ainda não tinham ousado. E eu fico na dúvida: são estes os nossos ídolos? Neles temos que nos mirar? Eles são nossos exemplos? É necessário viver uma vida nos dois extremos prá ter fama e ser ídolo?
Admirei muitas coisas no Elvis, no Michael, no Cazuza, na Elis, especialmente sua ousadia em fazer diferente. Porém, isso exigiu muito deles, tanto que não puderam mais servir as demandas dos seus personagens e morreram.
O que é que a gente tem que fazer prá fazer a diferença sem se matar? Como podemos agir e deixar nossas marcas de transformação e beleza para os outros? Como podemos ser exemplo para outros? Onde a ousadia deve ter seu limite para não nos colocar em situação de risco e morte?
Acredito que a resposta destas perguntas está naqueles momentos de nossas vidas em que temos que tomar decisões.
Diversas vezes na vida, mesmo jovens temos que tomar decisões: estudo hoje ou saio? Com quem eu saio? Digo a verdade ou omito a verdade hoje para meus pais? Tomo álcool com a turma ou fico no refri, antes dos 18? Transo, porque todos dizem que já transaram ou fico na minha aguardando o momento certo e a pessoa que amo e com a qual quero me comprometer?
Mais tarde na vida se pergunta: faço uma faculdade que sei que vai me dar um retorno financeiro garantido ou faço o que realmente admiro e me faz feliz? Uso uma droga para me aliviar em momentos duros ou me abro com alguém, busco ajuda, caio fora da turma que diz que uma maconhinha não vai me prejudicar? Dirijo acima do limite da velocidade, porque sou bom de braço porque sei que um acidente  nunca aconteceria comigo e meus amigos ou dirijo com cuidado e carrego a fama de “mulherzinha no trânsito”? Sim, por que as mulheres causam bem menos acidentes.
Parecem perguntas bobas? São, no entanto, cruciais para uma vida equilibrada e coerente.
Se estivermos equilibrados, deixaremos exemplos, teremos coragem de ousar por aquilo que acreditamos ser justo, teremos fãs que nos amam, respeitam e confiam. Talvez não apareceremos na TV, mas isso, não deveria ser uma grande preocupação para nós. Nem todas as pessoas que mudaram o mundo para melhor apareceram na TV.

Pastora Iára Müller –Faculdades EST